A Origem da Rosa + Cruz, Quais são as Ordens Rosacruzes?

 Quais são as Ordens Rosacruzes?

"A Rosa-Cruz Essencial existe desde que há seres humanos sobre a Terra." - Paul Sédir.


Por Leo Artaud Toledo - Frater Theo Amathor 


De onde surgiram os Rosacruzes? Lendas e histórias se entrelaçam, misturando realidade e mito. Seriam eles descendentes dos antigos egípcios, dos templários, ou de uma linhagem de sábios desconhecidos? A verdade se esconde por trás de símbolos e rituais milenares.

Fraternidade Rosacruz, AMORC, Ordem Kabalística da Rosacruz... tantas denominações, uma única busca: a sabedoria. Vamos explorar as origens e a história das diversas Ordens Rosacruzes. Uma jornada através do tempo, em busca da luz do conhecimento."

A Gold Und Rosenkreuzer

Em 1630, na Obra Arcana Arcanísima, Petrus Morienus afirma a existência de um grupo da Rosacruz de Ouro na Holanda. Em breve faremos um vídeo trazendo esta pesquisa.

Em 1710, a mesma Ordem aparece na obra A verdadeira e perfeita preparação da pedra filosofal, segundo os ensinamentos da fraternidade da Rosa-Cruz de Ouro de Sincerus Renatus pseudônimo de Samuel Richter, um pastor luterano discípulo de Paracelso, Jacob Böehme e dos Irmãos Angélicos de Johan Gichtel. Nesta obra aparecem os Estatutos, juramentos da Fraternidade. Nós abordaremos este Grupo de Samuel Richter em outro vídeo.

GURK do Antigo Sistema

E em 1757, a antiga Gold Und Rosenkreuzer ressurge através da Obra Aureum Vellum de Herman Fictuld. Patrocinado pela Casa da Áustria ele organiza a Ordem em cinco Graus, depois paralelamente à Criação da G.L.A. organizam a Ordem como como um sistema de Altos Graus Maçônicos baseados na Alquimia e e na Teurgia Angélica, afirmando que a Ordem possuía suas raízes na Ordem do Tosão de Ouro, fundada em 1430, reafirmando seu caráter Cristão e Monárquico. Seus estatutos reforçavam os anteriores, mas difere de Samuel Richter que era Luterano. Abordaremos esta Ordem em um vídeo espqc[ifico. Por enquanto é importante saber que em sua reforma de 1777, ela passará a ter 9 Graus, que possuem os mesmos títulos que as Ordens em sua maioria ainda usam.

"Esse regulamento indicava que a Ordem não devia se compor de mais de sessenta e três Irmãos e que ela era dirigida por um Imperator eleito por toda a vida. A Ordem da Rosa-cruz e Ouro do Antigo Sistema reivindicava uma sucessão linear direta dos grupos Rosacruzes do século XVII. O objetivo da Ordem era regenerar o homem de volta à sua dignidade original, aprender os segredos da natureza e restaurar a imagem de Deus.

No mesmo período apareceu um Sistema maçônico chamado o Societas Roseae et Áureae Crucis, Ordem da Cruz Rosada e Dourada, esta diferenca também vamos explicar no Vídeo sobre a R.C. de Ouro.

O Grau Rosacruz Maçônico:

Em 1765 aparece o Ritual do Grau Cavaleiro Rosa-Cruz através de Jean-Baptiste Willermoz. Este último esteve em contato com algumas Lojas na Alemanha e França. O Grau ficou popularizado até os dias atuais e tem uma Inspiração Templária.

Na Suécia também existia uma corrente religiosa independente secreta que dava ordenações apostólicas num contexto Rosacruz, chamada Theosophia Apostolica Rosæ Crucæ, restritas aos altos graus e aparentemente relacionada a corrente de Emanuel Swedenborg.

Ordo Fratres Lucis e Cavaleiros Irmãos de São João Evangelista da Ásia na Europa

Em 1780, os Irmãos Barão Von Ecker e Eckhoffen em contato com Sabatianistas e Frankistas, conseguiram criar uma conciliação sincrética e esotérica entre o Esoterismo Cristão e a Cabala, como fizeram Reuchlin e os Rosacruzes originais. Adaptando a Gold und Rosenkreuzer a um modelo inclusivo para aceitar os Irmãos Judeus com rituais bem simples. Von Ecker e Eckhoffen transformaram a GURK dando origem à Ordo Fratres Lucis, A Ordem dos Cavaleiros da Luz, a qual Karl Von Eckarthausen foi membro. Dois anos após isto, em 1782 eles elaboram os rituais e a Ordem se torna Os Cavaleiros e Irmãos São João, o Evangelista da Ásia na Europa ” ou, em resumo, simplesmente “ Irmãos Asiáticos ”. Os cristãos precisavam assumir um nome iniciático Judaico, e os Judeus um nome Cristão.

Em 1785, por Decreto Imperial esta Ordem, as Sociedades Alquímicas, e algumas fraternidades são proibidas, e precisarão se manter em segredo devido à Revolução.

Todas estas Ordens mantiveram-se em Sigilo, e os autores usaram pseudônimos. Como conta no juramento antigo:

"Para que o escárnio, o insulto e a perseguição desta augusta sociedade possam ser evitados, nunca publicarei abertamente que sou um membro, nem revelarei o nome ou a pessoa de tais membros como conheço atualmente ou que possa conhecer no futuro."

Outra parte do juramento incluía trocar de pseudônimo a cada 10 anos.

Então devemos compreender que todas as Organizações descendem destas primeiras: O Ramo Católico Rosacruz: GURK - com suas raízes na Ordem do Tosão de Ouro. E outro Ramo Místico Protestante que aceitava judeus, descendente do Círculo de Hesse-Cassel, um dos núcleos do eixo protestante cabalístico.

Membros Incógnitos e prováveis herdeiros desta Ordem são: Franz Anton Mesmer, Karl Von Hessen-Kassel da Estrita Observância Templária, O Conde de Saint-Germain, Cagliostro e Louis-Claude de Saint-Martin e Karl Von Eckarthausen. A Ordem continuou a existir em vários países discretamente. Na Suécia ela existiu oficialmente até 1830 dando existência a diversos Iniciados.

Bulwer-Lytton, Éliphas Lévi e Paschal Beverly Randolph eram descendentes desdes Círculos Rosacruzes em seus países, mas sempre discretamente. Estes Iniciados herdeiros da Ordem de São João deram Origem à Hermetic Brotherhood of Luxor.

Hermetic Brotherhood of Luxor

A Fraternidade Hermética de Luxor, também conhecida como H.B.L., representa a linhagem dos descendentes de Eckarthausen, estabelecida inicialmente em uma Loja em Frankfurt. Este legado alcançou figuras notáveis como o Sr. Edward Bulwer-Lytton, Éliphas Lévi, os Philaletes do Arsenal em Paris, o Príncipe Balbiani de Palermo e o Visconde de Lapasse da Rosacruz de Toulouse, entre outros. Essas organizações se mantiveram fiéis aos seus juramentos, criando círculos externos para preservar a Tradição internamente aguardando um novo período planetário. Não se sabe ao certo a sua origem, mas sabe que em torno de 1870 ela estava sendo delineada por Paulo Metamon, Max Theon, Madame Blavatsky fundadora da S.T., F.Ch - Barlet o Adepto por trás da Ordem Martinista, Igreja Gnóstica e O.K.R.C., Paschal Beverly Randolph fundador da F.R.C. e Carl Kellner um dos prováveis fundadores da O.T.O.

Esta organização marcou o início destes círculos menos discretos, embora mantivesse uma natureza reservada. O principal objetivo desta Ordem era ensinar Magia e Ocultismo práticos, formando Adeptos por meio da Iniciação nos moldes das antigas Tradições Rosacruzes. Além disso, patrocinava a criação de Centros Iniciáticos e Ordens externas para reviver as antigas e primitivas Iniciações Ocidentais, abrangendo Magia Cerimonial e Operativa, Teurgia, Magia Sexual, uso de ervas psicoativas como no Xamanismo, e o uso do Espelho Mágico, entre outros.

As lições eram enviadas por correio, e os Arcanos e Segredos eram ensinados apenas a poucos membros admitidos, com a admissão dependendo da análise da carta natal, entre outros fatores. Esta Ordem está por trás de diversas organizações que surgiram na Alemanha, Inglaterra, França, Estados Unidos e Itália.

A primeira Ordem a se afirmar Rosacruz.

Fraternitas Roseae Crucis

Paschal Beverly Randolph conheceu Éliphas Lévi e Hargrave Jennings em 1860 em Londres, no ano seguinte ele viaja a Paris para aprender junto ao Abade Francês. Segundo Papus, os Rosacruzes de Paris se reuniam em torno do autor do Dogma e Ritual de Alta Magia. Paschal Beverly Randolph resolve entre 1856 e 1867, dar forma à Fraternitas Rosae Crucis nos Estados Unidos. Ele também esteve em contato com A Hermetic Brotherhood Of Luxor e conheceu Carl Kellner e Max Theon no Egito. Após seu falecimento, Reuben Swinburne Clymer assume a Organização nos Estados Unidos Fraternitas Rosæ Crucis (FRC) foi fundada em 1912 por Reuben Swinburne Clymer. Esta Organização ainda existe com sua sede nos E.U.A., e está ativa na Europa e América do Sul. No Brasil seu acesso se dá apenas para alguns membros da F.R.A. Em outras palavras, ela não é aberta ao público.

A FRC é constituída pelos seguintes círculos internos:


1. Sacerdócio de Aeth

2. Ordem Rosacruz

3. Escolas Secretas

4. Irmandade Hermética

5. Fraternidade Rosacruz

6. Templo da Rosacruz

7. Ordem de Magi

8. Filhos de Ísis e Osíris

9. Illuminatae Americanae

Paschal também foi iniciado na SRIA em 1868. No entanto, Randolph admitiu em seus livros que ele pessoalmente teve seu "Rosacrucianismo" das visões e inspiração de seu coração e mente.

S.R.I.A.

Em Londres, temos a Societas Rosicruciana in Anglia, fundada em 1867, herdeira das mesmas tradições após a admissão de William James Hughan e Robert Wentworth Little na Societas Rosicruciana na Escócia, levaram a Ordem para a Inglaterra, bebendo das mesmas origens do círculo de onde vieram Bulwer-Lytton e Éliphas Lévi, mais a Tradição Rosacruciana da Escócia da Gold und Rosenkreuzer. Entretanto deram forma a uma Organização paramaçônica, uma Academia de estudos e práticas Rosacrucianas para o aperfeiçoamento dos Mestres Maçons. A Ordem ainda existe, especialmente ligada à G. L. da Inglaterra. Se tornou uma Ordem dentro de outra Ordem. Seu sistema de Graus é o primeiro destas Ordens a reutilizar os mesmos títulos dos 9 Graus da segunda Reforma da G.U.R.K.

S.T.

Em 1875, a Fundação da Sociedade Teosófica, por Helena Blavatsky e Olcott. Helena, entre outras Iniciações, além esteve em contato até 1772 com Max Théon o Grão-Mestre da Hermetic Brotherhood Of Luxor, tendo ela possivelmente sido membro desta Fraternidade. Blavatsky foi aluna de Max Theon tentou fundar uma Sociedade Espírita, depois com a ajuda de John Yarker que em 1872 havia estabelecido um Soberano Santuário do Rito Antigo e Primitivo, ela conseguiu as patentes para fundar uma Organização pública para selecionar os membros para o Círculo Maçônico egípcio interno. Com o passar dos anos a Organização se tornou voltada ao esoterismo Oriental. E seu núcleo Esotérico, a Seção Esotérica foi liderada pelo Dr. Franz Hartmann.

D.O.D.R.K. Order des Rosenkreuzer

Entre 1882 e 1884, após o caso Coulomb das cartas dos Mahatmas, Franz Hartmann se afasta da Sociedade Teosófica de Adyar, ele não concordava com a Presidência e achava que Madame Blavatsky estava sendo enganada. Ele ja era Maçom, recebeu Cartas de John Yarker e encontrou descendentes da Gold Und Rosenkreuzer na Áustria, então em 1888 ele cria Ordem dos Rosacruzes (Des Order des Rosenkreuzer) que inicialmente era ligada ao Rito Escocês Retificado e Rito de Swedenborg (que originalmente na G.L.A. deu origem aos Graus Rosacruzes. Papus será um dos representantes desta Ordem na França (L'Ordre des Rose-Croix). A Ordem dos Rosacruzes nasce ligada à Sociedade Teosófica Germânica que também tinha discípulos de Eliphas Lévi, como Marie Gérard Lestrange, e seu marido. Esta Ordem será absorvida por Theodor Reuss na Ordo Templi Orientis, como uma Academia Maçônica.

É importante te ressaltar a influência de Éliphas Lévi nestes grupos Rosacruzes do Final do século XIX. Um emprego é que o Barão de Spedalieri e outros discípulos do Círculo Rosacruz de Éliphas Lévi entregam documentos e rituais secretos aos Iniciados que fundarão a S.R.I.A. a OKRC, A HOGD e como dissemos antes, à S.T.G.

S. Hermética e Aurora Dourada

Anna Kingsford se afasta da Sociedade Teosófica e funda uma Sociedade Hermética em 1884, desta sociedade teremos alguns dos membros fundadores da Ordem Hermética da Aurora Dourada, The Golden Dawn: William Robert Woodman , William Wynn Westcott e Samuel Liddell Mathers, eram maçons e membros da Societas Rosicruciana em Anglia. Junto a diversos rituais e sistemas que ambos tiveram acesso criando analogias. E baseados no sistema de Éliphas Lévi, eles terão as bases para a criação da Golden Dawn, e criam o mito fundacional de Anna Sprengel, que na verdade ocultava o nome de uma Loja Maçônica. Fundada na Inglaterra em 1888, esta Ordem possuirá 10 Graus Rosacruzes inicialmente. Diferente da história que conhecemos, a mãe desta Sociedade é Anna Kingsford, mas seu pai Espiritual é Éliphas Lévi.

O.K.R.+C.

Em 1884, com o afastamento total de alguns membros da S.T., na França Os Abades Alta Roca e Lacuria, este último que era herdeiro de Éliphas Lévi passará a Adrien Peladan, Joséphin Péladan e Stanislas de Guaita sua herança para formar uma Ordem Rosacruz Templária, baseada na S.R.I.A. A Ordem Kabalística da Rosacruz já era idealizada pelos Herdeiros de Éliphas Lévi, e toma forma através de Joséphin Péladan, Stanislas de Guaita, Barlet e Papus. Peladan vinha de uma família ligada ao Templarismo, e do Círculo de Rosacruzes de Toulouse.

Ela funcionava junto a Ordem dos Superiores Desconhecidos de Papus desde 1884, entretanto ela será manifesta publicamente em entre 1888 e 1890. Seu Chefe é chamado de Grão-Mestre, eram 3 Graus, depois estruturaram em 9 Graus, e com seu desenvolvimento sintetizaram em 3 Graus. Ao longo do tempo algumas ramificações absorveram a tradição Ogdoádica Egípcia e se lançaram públicas, outras permaneceram como uma Ordem reservada restrita aos Superiores Incógnitos dentro de algumas Ordens Martinistas. Há linhagens brasileiras recriadas pela transmissão de Sevananda Swami, e outras reformuladas por Amberlaim e Amadou.

O.R.C.C.T.G.

Em 1891, Joséphin Péladan se separa da O.K.R.C. para fundar a Ordem Rosacruz do Templo e do Graal, com os membros do círculo dos Rosa-cruzes (Philadelphes) de Toulouse que funcionava desde 1850 em torno do Visconde Charles Edouard de Lapasse, e organizado por Firmin Boissin, Arcade d'Orient e outros. A proposta era um Rosacrucianismo Cristão Católico Romano, unindo a Rosacruz às Tradições Neotemplárias, com objetivos cavalheirescos, sociais e artísticos. A Ordem possuía 3 Graus, e depois ela vai se desenvolver em dois ramos e um destes terá 13 Graus no sistema de Émile Dantinne. Sendo o 13° grau o Imperator. Ela está ativa e existe na França e no Brasil, mas funciona de forma discreta.

Ordo Templi Orientis

Lider da Seção Esotérica, após a Grande Iniciação de Blavatsky em 1891, Hartmann, é eleito Presidente da Sociedade Teosófica Internacional e S.T. na Alemanha em 1897. Em 1895 ele havia conhecido Carl Kellner que era membro da H.B.L. e de outras tradições orientais de Sufismo e Yoga. Em 1896 Hartmann foi tornado delegado da Ordem Martinista pelo Dr. Eduard Blitz. A Sociedade Teosófica Germânica já estava inativa. Em 1901 Theodor Reuss é tornado Inspetor Geral da Ordem Martinista por Papus. Em 1902 Hartmann intercede junto a John Yarker para que Theodor Reuss obtenha as cartas patentes do Memphis-Misraim, e outros Ritos Maçônicos, que são concedidas. Assim, eles vão reunindo intelectuais e ocultistas para a formação de uma Academia Maçônica.

O Dr. Carl Kellner idealizava um círculo de Iniciados e praticantes de Hatha Yoga desde que conheceu Hartmann e Reuss. Ele viajou o mundo, conheceu Max Théon que o apresentou a Paschal Beverly Randolph, foi iniciado em diversas tradições. A Ordem Rosacruz do Dr. Franz Hartmann, herdeira da Gold und Rosenkreuzer funcionava discretamente desde 1888, e foi absorvida para se tornar um círculo interno, dos Adeptos. Entretanto, Hartmann possuía uma visão mística e se afinizava com o Cristianismo esotérico, e gostava das Tradições Védicas, Taoísmo, Budismo etc. E Theodor Reuss que pensava na criação de uma Academia Maçônica Iluminista, por isto buscou cartas patentes do Memphis-Misraim na França, do Rito de Swedenborg, e Rito Escocês com John Yarker, mas as cartas normalmente eram concedidas a Hartmann, que já era mais conhecido como Ex-secretário de Madame Blavatsky. E após isto, Theodor Reuss tenta recriar a Ordem dos Illuminatti de Baviera e cria Graus Illuminatti de uma forma diferente da Ordem dos Perfectibilistas de Adam Weishaupt, em sua opinião ele deveria combater as religiões. Sua Academia foi chamada de a Ordem de Ordem dos Maçons Templários e Ordem dos Templários do Oriente. Em 1904, quando Aleister Crowley escreve o livro da lei, Hartmann escreve cartas se afastando de Reuss, mas Reuss continua usando o nome de Hartmann. Kellner falece em 1905. A O.T.O. é fundada em 1906 quando sua primeira constituição é publicada. A data que tomamos por base é a sua Constituição, pois estava em processo germinação desde 1895. Com a proximidade com Crowley, a Ordem vai aceitando O Livro da Lei como Revelação e a Thelema como Filosofia criada por Crowley em uma sessão espírita onde ele e sua esposa canalizam um Mestre. (Profeta, Livro, Dogma, Frases repetidas por Adeptos, Liturgia, Missa, Aceitação ...).

A Ordem possuiu 11 Graus, depois 12. O 11 e 12 eram Administrativos, os membros atingiam no máximo o Grau X. A Ordem foi sendo transformada em Thelema e após a morte de Reuss que não deixou sucessor vários grupos surgiram. Os discípulos de Hartmann e Reuss eram o Dr. Krumm-Heller, Heinrich Tränker. Harvey Spencer Lewis chegou a viajar para conhecer a residência do Dr. Hartmann devido a sua admiração a ele.

Ordem Rosicruciana Alpha et Ômega

Em 1900, Samuel Liddell Mathers se afasta da Ordem da Aurora Dourada para criar a Ordem Rosacruciana Alpha et Ômega, O.R.A.O.

Ordem da Estrela da Manhã (Stella Matutina)

Em 1900 é fundada a Stella Matutina, os membros que se afastaram de Mathers, continuaram como Hermetic Society of the Morgenrothe, Membros como Robert Felkin, John William Brodie-Innes, A.E. Waite, Rev. Ayton, W.B. Yeats entre outros. E fundaram a Ordem da Rosa Mística, que se tornou a Ordem da Estrela da Manhã, Stella Matutina.

O Neo-rosacrucianismo

A ascensão da globalização e da produção tecnológica impulsionou o desejo por colonização, com países industrializados como Alemanha, Inglaterra, França e Estados Unidos competindo por poder territorial e mercados, em outras palavras, todos eles buscavam expandir as fronteiras comerciais e colonizar comercialmente os seus consumidores. O nacionalismo exacerbado, exemplificado pelo pangermanismo na Alemanha, alimentou a ideia de superioridade racial e a expansão imperialista. Nos Estados Unidos, o Destino Manifesto e o nacionalismo messiânico, desempenharam papéis semelhantes, justificando a expansão territorial e a influência global do país, baseados na crença de uma missão divina de espalhar seus valores e instituições. Simultaneamente, movimentos religiosos e espirituais como a Sociedade Teosófica e a Arya Samaj na Índia influenciaram o pensamento ocidental, contribuindo para o surgimento de novas formas de cristianismo orientalizado, como a Ciência Cristã, que mais tarde influenciou O Movimento Teosófico do Novo Pensamento, que por sua vez gerou Teologia da Prosperidade neopentecostal norte-americana. Que hoje praticamente domina as massas e as Organizações.

As Ordens Esotéricas e Rosacruzes passaram por transformações significativas ao longo do tempo. Anteriormente, o acesso aos mistérios e técnicas das sociedades iniciáticas era restrito à nobreza e à alta burguesia, com uma abordagem mais pessoal e exclusiva. No entanto, em meados do século XIX, a crescente acessibilidade à informação e às sociedades de iniciação promoveu uma democratização do conhecimento esotérico.

Essa mudança coincidiu com a era da globalização, que, paradoxalmente, trouxe uma mecanização e impessoalidade às relações humanas. Para atender às massas, as ordens esotéricas adaptaram-se, difundindo a ideia de que indivíduos das classes populares poderiam se tornar "veículos dos Mestres", um papel antes reservado à elite. Essa democratização do esoterismo refletiu as transformações sociais da época, abrindo caminho para uma nova era de espiritualidade acessível a um público mais amplo. Obviamente tudo o que ocorria na sociedade era refletido no mundo iniciático, convido a todos a refletirem sobre a mecanização do sistema iniciático, a competitividade e o nacionalismo.

Posto tudo isto, Após a morte de Blavatsky, tornou-se comum a prática de contatar e canalizar os Mahatmas e Mestres da Grande Fraternidade Branca, em vez de espíritos e médiuns, todos se tornaram Canalizadores, buscando ser um de seus adeptos guiados pelos Mestres. Após a morte de Blavatsky, a busca por contato com os Mahatmas e Mestres da Grande Fraternidade Branca (GFB) intensificou-se, ressignificando conceitos de tradições diversas. A GFB, inspirada em ensinamentos sufistas, judaicos, védicos e cristãos, tornou-se um termo central no esoterismo ocidental, ainda que os membros iniciais fossem de raças indo-iranianas ou Arianas.

Essa popularização fomentou o surgimento de "Mestres Cósmicos" e profetas que canalizavam ensinamentos em nome da GFB, reivindicando ser os guias para a vindoura Era de Aquário.

Fraternidade Rosacruz

Carl Louis Frederick von Grasshoff após uma vida muito doente, com várias enfermidades e problemas desde a infância, e muitos insucessos na vida material, se afilia na Sociedade Teosófica, ele assume o nome de Max Heindel, e foi vice-presidente da S.T. Pasadena na Califórnia entre 1904 e 1905, depois de um tempo ele se afastou. Ele viaja à Alemanha em busca dos Rosacruzes, para conhecer Rudolph Steiner, mas após um tempo ele discordou da Antroposofia de Steiner, então, ele tem um contato espiritual com um Irmão Maior, que segundo as revelações recentes dos autores da época, poderia ser Alois Maillander, um Adepto encarnado que orientou Blavatsky, Franz Hartmann, Gustav, Meyrink e Steiner. Ou poderia ser o próprio Dr. Hartmann.

Após uma série de palestras e contatos com os círculos Esotéricos dos E.U.A., em 1909 ele publica o Livro O Conceito Rosacruz do Cosmos, revelando ao público parte dos ensinamentos esotéricos da Fraternidade Hermética de Luxor, algumas visões místicas da Maçonaria, da Sociedade Teosófica e da Antroposofia de Rudolf Steiner. Decide então fundar a sua Fraternidade como representante missionado dos Mestres da Verdadeira Rosacruz, muitos acreditam que ele era a reencarnação de Johan Valentin Andreae.

Sua Fraternidade era fortemente baseada no Conceito de Igreja Invisível de Karl Von Eckarthausen. A Fraternidade Rosacruz foi inaugurada no final do verão e outono de 1909, após um curso de palestras em Seattle. Um centro de estudos foi formado. A Fraternidade continuou então, aberta a todos, e possui, tal como a Maçonaria, 3 Graus. Os demais graus seriam dados espiritualmente. Há uma exigência de não ser Médium, espírita, umbandista e candomblecista, ou com sta no site: "astrólogo, quiromante profissional, e ainda médiuns, hipnotizadores praticantes que terão seu pedido de inscrição negado até abandonarem, de imediato, tais práticas". E orienta-se que o membro seja Vegetariano ou Vegano, tal como na Sociedade Teosófica, afim de se aproximar da evolução e da criação de uma nova raça Ariana nos moldes germânicos. Independente de tudo isto, Max Heindel possui obras excelentes, pois assim como Madame Blavatsky, ele condensou a Doutrina de todos os autores e Sociedades que ele teve contato.

Steiner esteve em contato na Califórnia com Marie Russak. O que nos leva à O.M.T.R.C.

Ordem Mística do Templo da Rosacruz

Em 1912, Annie Besant, uma das Presidentes da Sociedade Teosófica, Martinista, Maçom da Potência Direitos Humanos, e líder da Seção Esotérica se une a Marie Russak e outros membros da Ordem da Estrela do Oriente, para fundar a Ordem Mística do Templo da Rosacruz em Londres e estabelecem templos na Califórnia, nos EUA, e em outros países. Foi fundada por líderes da Sociedade Teosófica e do grupo de Investigação Psíquica que Harvey Spencer Lewis era membro desde 1903, entretanto não sabemos se ele foi membro ou se a sua relação se limitava a função de colaborador, publicando artigos na Revista The Chanel. Esta Ordem incluía Annie Besant, Marie Russak, James Ingall Wedgwood. De acordo com Gregory Tillett, e Charles Webster Leadbeater 1854-1934 , tanto Russak quanto Wedgwood eram médiuns que comunicavam, agora "Canalizavam" as mensagens dos Mestres durante as reuniões do Templo. A Ordem foi desfeita em 1918, mas alguns ramos continuaram a existir em outros países. Marie Russak continuou como membro da Sociedade Teosófica e da Fraternidade Max Heindel, ao mesmo tempo se uniu à Harvey Spencer Lewis desde a fundação da Amorc em 1915, como membro honorável, sendo uma das criadoras dos rituais e monografias originais da Amorc. Russak, embora seja menosprezada é o elo de ligação principal entre a Amorc, a S.T. e a Fraternidade Max Heindel.

A Ordem possuía uma temática egípcia e misturava conceitos do Movimento Teosófico e do Novo Pensamento (Kuthumi, Mahatma Moria, Nova Era, Mentalismo...), ainda existente nos dias atuais, ela possui três graus iniciáticos: Neófito, Peregrino e Mestre. No entanto, assim como os autores teosóficos, se insiste na diferença entre a iniciação ritual e a verdadeira Iniciação mística. O citado esquema de graus é simbólico e não tem nenhuma relação com o progresso espiritual de cada membro.

Esta ordem foi praticamente absorivda pela Amorc, mas há outros ramos ativos nos EUA.

Fraternidade da Rosacruz

Arthur Edward Waite, Iniciado na G.D., S.R.I.A., Mestre Maçom e Martinista fundou em 1903 A Ordem Independente e Retificada RR et AC Esta Ordem foi dissolvida em 1914. Após várias rixas e cismas dentro da G.D. em julho de 1915 ele formou a Fellowship of the Rosy Cross.

A Fellowship of the Rosy Cross é uma organização mística cristã fundada por Arthur Edward Waite na Inglaterra em 1915. Waite fez seus ritos refletirem seu interesse na história do Movimento Rosacruz, na Maçonaria e nos ensinamentos místicos cristãos ao longo dos tempos. A maioria de seus membros eram maçons. Havia planos para estabelecer uma filial nos Estados Unidos, mas eles parecem nunca ter sido cumpridos. A ordem ainda existe na Inglaterra hoje e possui representantes no Brasil. É restrita a Mestres Maçons.

Antiga e Mística Ordem Rosacruz

Após uma crise espiritual e problemas legais devido a um curso de Astrologia à distância, Harvey Spencer Lewis, que publicava artigos de Projeção Astral como Dr. Lewis, teve uma experiência mística na Catedral Presbiteriana de Nova York. Um ser de uma antiga fraternidade egípcia, chamado Amorcus, apareceu para ele e entregou a missão de recriar a Ordem Rosacruciana egípcia na América. Lewis iniciou sua jornada, afirmando ter sido iniciado no Donjon nas ruínas de um templo romano em Toulouse. A partir daí, foi-lhe permitido copiar os ensinamentos que ele passaria anos decifrando. Após encontrar o templo em ruínas, ele recebe os ensinamentos e ferramentas para reconstruir um Templo na sua terra Natal, ou seja, estamos falando do simbolismo usado na Maçonaria e nos Manifestos, provavelmente a leitura desta história exige conhecimento simbólico e alegórico que até então poucos percebem.

Após se casar com sua segunda esposa, Martha Morfier que havia recebido uma herança dos avós, ele finalmente pôde fundar a AMORC em 1915, combinando mentalismo, auto-hipnose e elementos do Novo Pensamento com o conceito de Mestres do Movimento Teosófico. Lewis participava de uma sociedade de investigação psíquica com Ella Wheeler Wilcox, Marie Russak e Elbert Green Hubbard, que se tornaram os primeiros membros da AMORC. Ele escolheu Marie Russak para a composição dos ensinamentos o que esclarece para nós a influência do Movimento Teosófico na Amorc. A ordem inicialmente possuía nove graus e os rituais e Iniciações eram realizados em um Templo na Califórnia. Graças a sua experiência como publicitário, criando uma campanha de divulgação, uma Igreja Prístina da Rosacruz e divulgando os rosacruzes através de um programa de rádio, ele se tornou conhecido e a Organização cresceu, chamando atenção de outras lideranças, portanto Spencer foi contatando outras Ordens na Europa e se afiliou em várias outras organizações, recebendo títulos e graus de diversas tradições místicas. Transformando assim, a sua Iniciação mística e solitária que ele passou em um Templo simbólico com apenas um Mestre e um Secretário, em um novo sistema com rituais belos, complexos, mas agora com a exigência de mais de uma dúzia de pessoas para a sua ritualística e um Templo consagrado e regularizado. Para muitos isto parece uma aparente contradição.

Em torno de 1921 ele recebe Cartas de Theodor Reuss para ser representante da Ordo Templi Orientis e tentar fundar uma Loja de Memphis Misraim nas Américas, e em 1930 recebe ajuda de Heinrich Traenker, outro líder da O.T.O. e discípulo do Dr. Franz Hartmann, o qual falaremos mais para frente. Em algumas publicações da década inicial da Amorc ele revela que o Imperator da Europa era na verdade um Mahatma da Grande fraternidade - Moria Ra, e que o Supremo Conselho não estava em Toulouse, mas em Memphis no Egito:

"Pelo recente decreto do Supremo Conselho Rosa-cruz do Mundo, realizado em Mênfis. Egito, 20 de julho, 1916. e presidido pelo Pontifício Supremo Perfeito Alto Antigo Shekah El Moria Ra, a Ordem na América recebeu uma jurisdição distinta, a ser conhecida como Jurisdição Americana. Por meio desse decreto, transmitido pelo Supremo Conselho Rosa-Cruz da França, que foi o patrocinador da Ordem na América, temos a carta ou patente necessária para nossa existência oficial na América e nossa afiliação com a Ordem em todo o mundo.".

Para alguns era um "Conselho Astral", como o de Max Heindel e Paschal Beverly Randolph, pois as histórias são parecidas, mas para outros se tratava do Soberano do Memphis-Misraim, Dr. Sémelas que estava criando a Rosacruz do Oriente, junto a Ordem Martinista no Cairo, no Egito, a Loja Templo Essênio, com quem ele também trocou cartas patentes em torno de 1914, um ano antes de fundar a Amorc. De toda forma, o Alto Conselho dos Rosacruzes da Europa, Transformou-se agora em subsidiário do Alto Conselho de Moria Ra no Egito, e de 9 Graus, a Ordem passou a ter 12 Graus, absorvendo uma Ordem dos Illuminatti, que segundo Spencer, também vinha do Egito.

De toda forma, após a sua união no projeto de Emile Dantinne e Victor Blanchard - A Fudosi - em 1934, ele recebe mais patentes e graus sendo reconhecido em varias Ordens francesas e no Rito Antigo e Primitivo da Maçonaria de Memphis-Mizraim, assim como a Ordem dos Irmãos Illuminatti de François Jollivet-Castelot e Sédir.

Através da FUDOSI, ele realmente recebeu todos os graus e a Autoridade na FUDOSI, inclusive o 13° Grau de Imperator na Ordem de Émile Dantinne, o Grau de Livre Iniciador Martinista, e o Grau 33°, 66° e 95° do Memphis-Misraim, podendo assim fundar seu Soberano Santuário.

33° Grande Eleito Cavalheiro Kadosch, Sublime Príncipe do Real Segredo, ou Sublime Cavaleiro Kadosch, SOBERANO GRANDE INSPETOR GERAL
66° Juiz Filósofo ou Patriarca Grande Conservador
95° Soberano Conservador

Para quem não entendeu, ele recebeu também o Tosão de Ouro, Argonautas, Illuminati, os graus e ordens alquímicas e a Ordem dos Ellu-Cohen, todas as Ordens que se mantiveram guardadas dentro do R.A.P.M.M.

Ao final da Vida Spencer assim como Paschal Beverly Randolph deixou por escrito que a Ordem não tinha Origem Divina, nem alienígena, e explicou sua Jornada verdadeira guardada a sete Chaves. Alguns afirmam que em algum Grau esta Confissão era entregue revelando a Verdade, e os seus propósitos, outros dizem que este Documento de Domínio público após 100 já está disponível em alguns sites. De toda forma, aparentemente ele sonhava com um futuro onde o Misticismo fosse lecionado nas escolas, e o Rosacrucianismo Místico, como uma Nova revelação pudesse ser disponibilizado gratuitamente a todas as pessoas, quando houvesse uma tecnologia que proporcionasse tal advento, como a Internet.

Todos os seus ideais somente puderam se consolidar através do seu Filho, Ralph Maxwell Lewis.

Após seu falecimento, seu Ralph Maxwell Lewis, de personalidade mais pragmatica e realista, transformou positivamente a AMORC, introduzindo o conceito do "Templo no Lar" para o ensino à distância. Um personagem revolucionário. Muitos membros entendem que Ralph, antes de falecer, aspirava que Raymond Bernard assumisse a Ordem, e que, ao mesmo tempo, também treinou Gary L. Stewart, este que foi empossado e assumiu a Ordem em torno de 1987, Gary Stewart se afastou e levou consigo parte dos ensinamentos canalizados por Spencer Lewis, e após isto, Christian Bernard, filho de Raymond Bernard, assumiu, e junto a seu pai e os Membros da U.R.C. eles aperfeiçoaram o sistema de ensino.

A ordem continuou a evoluir sob a liderança de Raymond e Christian Bernard, que fizeram contribuições positivas aos ensinamentos, tornando-os mais alinhados à transformação interior e menos focados em promessas e fenômenos de levitação como Spencer fazia. Atualmente, a AMORC é a maior ordem mística rosacrucianista pública, com uma estrutura complexa de graus e ensinamentos que levam cerca de 25 anos para serem concluídos. Ela é uma tradição viva que sempre está em transformação, contrariando o conservadorismo de parte da sua Hierarquia que no passado idolatrava a figura de Spencer Lewis como o próprio Christian Rosekreutz encarnado, e ainda no Brasil mantém fanáticos que contrariam a lucidez do seu Imperator atual Cláudio Mazzucco. Mazzucco, diferente das promessas milenaristas e messiânicas, mágicas e delírios megalomaníacos afirma em sua simplicidade: A Rosacruz é uma forma de reinterpretar nossa maneira de ver a vida.

A Ordem é aberta a todos, homens e mulheres, busca sempre se atualizar perante a legislação do país onde está, possui ao todo 1 Grau público e gratuito, chamado Câmara Externa, mais 3 Graus de pórtico, Átrio, e após 1 ano e seis meses o membro pode ser Iniciado ao primeiro Grau de Templo. Os Graus de Templo são os 9 tradicionais das demais Ordens, mais 3 Graus Illuminatti tal como a O.T.O. e a A.A., e após isto há mais alguns graus que não são chamados de Graus. Ao todo, seriam 24 Graus e 25 anos em média para terminar. É a única Ordem onde o membro pode passar de grau sem a necessidade de estudar, o que significa que seus graus e títulos não são sinônimos de evolução interior ou de conhecimento. Todos podem ter grau máximo, desde que contribuam. Todas as Iniciações são gratuitas e ao contrário de outras Ordens, não é exigido paramentos, joias, roupas específicas. Ressaltei estes pontos para deixar claro que a mensagem da organização: A Evolução é pessoal e interior, e a Ordem apenas auxilia os membros que se esforçam nesta direção, não se responsabilizando pelos que buscam poderes e grandes mistérios do Grau 12, e pelos que contam ou acreditam em lendas e mitos. Para a Amorc indifere se H.S.L. foi iniciado em Toulouse, dentro denum vulcão ou em outro planeta, pois a responsabilidade sobre nossas vidas e a condução da nossa mente, nossa Alma e consciência não depende de fatos da vida de um personagem.

Como dissemos antes, Spencer teve ajuda de um dos discípulos do Dr. Franz Hartmann e de Theodor Reuss, que fundou o Colégio Pansóphico, inspirado no rosacrucianismo clássico de Amos Comenius e Johan Valentin Andreae.

Chegamos ao período posterior à Primeira Guerra (1914 - 1916). Muitos dos Ocultistas que sintetizaram e reuniram forças e poderes para as Ordens lançadas em 1888, prepararam o caminho espiritual da Iniciação para este momento, e após isto, sucumbiram. Aparentemente é como se as Ordens Rosacruzes Esotéricas tivessem uma missão para ressurgirem unindo e condensando forças e ideias antes da guerra, e após ela, se dividirem em novos ramos.

É neste período que o pangermanismo no coração dos alemães, marcado pela derrota e pelas imposições dos outros países vai aflorar com mais força.

A Alemanha enfrentou uma crise econômica e social, com hiperinflação, desemprego e empobrecimento da classe média e miséria para as classes trabalhadoras.

A Alemanha responsabilizada pela 1a Guerra, perdeu 13% do seu território, foi condenada a pagar uma indenização e foi desmilitarizada. Precisamos observar que historicamente ela era um Império combatendo outros países, mas agora eles eram forçados a não ter o poder de se defender. Diferente do Brasil, por exemplo, que não é independente na sua defesa e proteção, a Alemanha estava acostumada a ser independente no campo militar.

Neste contexto, a crise econômica e o descontentamento popular contribuíram no espírito germânico para a aceitação do discursos e crescimento do nazismo. Trazendo para a atualidade, é a mesma situação que vem ocorrendo desde a Crise econômica mundial em 2010, onde os EUA, que vem perdendo o domínio sobre o mercado mundial das Ações para a China, e com o Dólar e as moedas em geral, perdendo sua influência, por exemplo, para o mercado das Criptomoedas, não aceitam a diminuição do poder do seu país, iniciaram uma taxação sobre os produtos dos outros países, e buscaram recorrer para um espírito Nacionalista culpando os imigrantes, desde 2018. Tudo o que a Alemanha fez com os judeus, ciganos e outros. No primeiro momento, as autoridades começam expulsando e depois, como sabemos, exterminando-os. Nós abordamos como isto ocorreu no período que gerou a Reforma, o Papa aumentou os Impostos, os Reis e Príncipes, perseguiram e assassinaram os Judeus e os Protestantes, confiscaram seus Bens e encheram seus cofres.

E ao contrário dos Teóricos de Conspiração que veem as mudanças sociais sendo influenciadas pelas Ordens de Esoterismo, são as Organizações que se alteram pelo ambiente e contexto, pois o Esoterismo é indissociável da liberdade de pensamento e ação, justamente por isto, as paixões políticas e separatistas do mundo Profano acabam invadindo o ambiente Sagrado, na maioria das vezes. É justamente neste ponto de necessidade do espírito Nacionalista que o Espírito Alemão ressurge com o Collegium Pansophicum.

Collegium Pansophicum

Heinrich Tränker, membro da Fraternidade Teosófica Internacional cujo primeiro presidente foi o Dr. Franz Hartmann, atuou como secretário de Hartmann e, provavelmente, integrou a Ordem dos Rosacruzes fundada em 1888.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Tränker estabeleceu um grupo de estudos filosóficos, rosacrucianos e esotéricos, fundamentado na Pansophia, termo utilizado por Johan Valentin Andreae e Amos Comenius.

Em 10 de maio de 1920, Theodor Reuss conferiu a Heinrich Tränker o X° grau (Rex Summus), o mais elevado da Ordo Templi Orientis (OTO), aparentemente sem que ambos se encontrassem pessoalmente.

Fundado por Heinrich Tränker em 1921, o Collegium Pansophicum buscava uma abordagem mais alinhada aos Manifestos Rosacruzes e aos autores rosacruzes germânicos. Nesse mesmo ano, surgiu a A.A.O.R.R.A.C., unindo a FRA de Krumm-Heller na América Latina, a AMORC nos EUA e a Pansophia de Tränker. Posteriormente, Edward Munninger, outro herdeiro da OTO na Suíça, reutilizaria esse nome. Sobre a A.A.O.R.R.A.C., Spencer Lewis afirmou: "A Ordem Rosacruz (Pansophia) na Alemanha é um ramo da A.A.O.R.R..A.C. conhecida no mundo Ocidental como Amorc." (Perguntas e Respostas Rosacruzes).

A Ordem possuía três graus:

* Neófito, Probatório.

* O círculo externo, Frater Roseae Crucis (FRC), onde o membro utilizava a designação FRC.

* Ordo Rosae Crucis, Serviço Sacerdotal e Gnóstico.

É importante notar dois pontos:

Primeiramente, a via Sacerdotal, ou o Sacerdócio na Igreja gnóstica, situava-se acima e além do Rosacrucianismo, seguindo o modelo de Martinez de Pasqually, no qual o Sacerdócio dos eleitos Réau-Croix culminava os graus. De modo similar, na Ordem Martinista de Papus, era a Igreja Gnóstica que conferia autoridade para certos rituais e práticas, além do grau S.I.

Em segundo lugar, a adição de graus ocorria sempre de baixo para cima. Quanto mais graus eram incorporados nessas Ordens, mais distante ficava o terceiro nível sacerdotal e a autoridade máxima. Por exemplo, algumas Ordens possuem 12 Graus estão assim estruturadas: nove graus no estágio de Neófito ou Templo. Somente após o 10° grau o membro podia se intitular F.R.C. ou Illuminati (O Segundo Estágio) e apenas após o 12° é possível ingressar na Ordem interna (o terceiro estágio).

Em 1925, Tränker fundou uma Loja Pansófica juntamente com Aleister Crowley. Ele liderou uma filial alemã da OTO durante a gestão de Reuss e admirava Aleister Crowley. A Profecia da Nova Era após Joaquim de Fiori continuou nestas Ordens, tanto que, neste ano Tranker tentou anunciar Aleister Crowley como o "Profeta da Nova Era" com o "Livro da Lei" como Escritura, mas após um ano ele se rebelou contra Crowley, e na Quinta-feira Santa de 1926, sua relação com Crowley se deteriorou em conflito. Lembrem que foi em Uma Quinta-Feira Santa que Crowley deixará de ser o novo Messias das principais Ordens Rosacruzes que estão nas Américas.

Durante esse período, um grupo de membros, insatisfeito com a direção da Ordem, fundou a Fraternitas Saturni (FS).

Atualmente, assim como a maioria das Ordens Rosacruzes modernas, o Collegium Pansophicum se declara como o único detentor dos verdadeiros segredos da fraternidade rosacruciana, pois possui os pilares tradicionais da Rosacruz: Cabala, Alquimia e Astrologia (Que na verdade, são os pilares de Heinrich Khunrath, não necessariamente do Movimento Rosacruz com todas as nuances que estudamos longamente através da Série A.O.R.C.

Até o ano de 1931, Tränker e o Collegium Pansophicum mantiveram uma parceria com Harvey Spencer Lewis e a AMORC.

Assim, antes de prosseguir para o próximo episódio, é fundamental compreender que, em essência, por pouco, Crowley não foi proclamado o líder desta liga Rosacruz, o Novo Messias da Nova Era substituindo O Cristo e Elias, O Artista. E que esta união, ao mesmo tempo, se tornará a primeira linha de oposição a Crowley na OTO. Por um período, todas estas Ordens continuaram unidas e conectadas em seus altos Graus através dos Mistérios do Sacerdócio Gnóstico e pelos Altos Graus do R.A.P.M.M., e esta União se chamava A.A.O.R.R.A.C., cujas influências se estendem filosoficamente à FRA, à Fraternitas Saturni, à Amorc e à Ordem Rosacruz de Edward Munninger na Alemanha através do Lema Luz Vida, Amor. Sim e esta herança será transmitida às dissidências destas Ordens.

É Importante ressaltar que (Prestem Atenção!): este grupo utilizava o termo L.L.L.: Licht, Liebe, Leben (Luz, Amor, Vida), cunhado pelo filósofo Johann Gottfried Herder, expoente do romantismo nacionalista alemão.

Herder foi influenciado por seu orientador acadêmico Immanuel Kant, bem como pelos filósofos do século XVII Spinoza e Leibniz. Por sua vez, ele influenciou Hegel, Nietzsche e Goethe, o que levou muitos ao erro de considerar sua influência filosófica como evidência de elementos do pensamento rosacruciano nesses autores.

Para muitos, a união das três letras L, formam alguns símbolos que estão presentes no avental de Mestre Maçom Egípcio, em letras do Alfabeto Maçônico usado na Maçonaria egípcia, pois todos eram Maçons Egípcios, mas a influência principal vem, além dos textos do Filósofo Herder, do Liber CL, De Lege Libellum L.L.L.L. de Aleister Crowley:

"Eu, TEO MEGA ΘΗΡΙΟΝ, que dei esta Lei a todos que se consideram santos. Sou Eu, e não outro, que desejo toda a vossa Liberdade e o surgimento dentro de vós do pleno Conhecimento e Poder.

"Eis que o Reino de Deus está dentro de vós, assim como o Sol permanece eterno nos céus, igual à meia-noite e ao meio-dia. Ele não nasce, nem se põe; é apenas a sombra da terra que o encobre, ou as nuvens sobre a sua face.

"Permitam-me, então, declarar-lhes este Mistério da Lei...

"Saiba, antes de tudo, que da Lei brotam quatro Raios ou Emanações: de modo que, se a Lei for o centro do seu ser, eles necessariamente o preencherão com sua bondade secreta. E esses quatro são Luz, Vida, Amor e Liberdade (Em inglês Light, Life, Love and Liberty). Ou seja, um quarto L foi ocultado, pois a união dos 4 L poderia formar a Cruz Suástica. Não sei se está era a intenção de Crowley ou dos seus seguidores.

De toda forma, Luz, Vida, Amor, são os lemas cunhados na fase Nacionalista do Romantismo Alemão.

Builders of the Adytum 1922 Paul Foster Case

Paul Foster Case era um membro sênior da Ordem Hermética da Aurora Dourada nos Estados Unidos, Maçom, foi leitor de William Walker Atkinson do Novo Pensamento e da Yogi Society, o autor do Caibalion, e também era relacionado a Fraternidade Hermética de Atalanta e Elephanta (sede da H.B.L.). Case se correspondia com Dion Fortune, ele estudou os Arcanos de Artur Edward Waite, e as bases da sua Rosacruz que citamos no episódio 9. Case também esteve em contato com Israel Regardie. Em síntese sua base era da Rosacruz Inglesa com elementos do mentalismo e ocultismo norte-americano.

Ele relatou um encontro em 1909 ou 1910, que mudaria o curso de sua vida. "Dr. Fludd", um médico de Chicago, abordou o jovem Case e o cumprimentou pelo nome, dizendo que tinha uma mensagem de um "mestre da sabedoria que é meu professor e também seu".

Após um desentendimento com Moina Mathers, chefe da Golden Dawn e viúva de MacGregor Mathers, ele e outros membros deixaram a Golden Dawn. No verão de 1922, preparou um curso por correspondência, o curso de "A Sabedoria Eterna". e no ano seguinte, em 1923, Case fundou a Escola da Sabedoria Eterna. Assim ele formou sua ordem separada, retirando as Magia Enochiana e trabalho de vidência com espelhos, que ele considerava perigosa e focando em outros aspectos do Rosacrucianismo: a Cabala, Tarot.

Paul Foster Case conta o seu contato com o Mestre Rackozi, Saint Germain:

"Um dia, o telefone tocou e, para sua surpresa, a mesma voz que o instruíra interiormente em suas pesquisas por muitos anos falou com ele ao telefone. Era o Mestre R. que viera pessoalmente a Nova York com o propósito de preparar Paul Case para iniciar a próxima encarnação do Caminho do Retorno Cabalístico. ... Após três semanas de instrução pessoal com o Mestre R., a Builders of the Adytum foi formada."

Buiders of the Adytum, significa Construtores do “Adytum”, o “Santuário Interno” em latim ou “Santo dos Santos”. “Construtores” refere-se à emulação do Carpinteiro de Nazaré, Jesus, que alguns membros da BOTA acreditam que era adepto dos mistérios da construção de um templo vivo sem as mãos (Marcos 14:58 e João 2:12 ).

¹⁹ Jesus respondeu, e disse-lhes: Destruí este templo, e em três dias o levantarei.

²⁰ Disseram, pois, os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias?

²¹ Mas ele falava do templo do seu corpo.

João 2:12-21

CONSTRUTORES DO ADYTUM (BOTA ou BOTA) segundo as informações que constam no site oficial, é uma verdadeira Escola de Mistérios, uma Ordem internacional de ensino e treinamento sem fins lucrativos (mas cujas taxas são pagas em dólar americano e enviadas para uma conta nos EUA). A Ordem afirma ser um veículo externo da Hierarquia Espiritual Interior, às vezes chamada de Escola Interior, que guia a evolução do Homem. Seu objetivo é imprimir o simbolismo de forma mais eficaz na psique dos aspirantes por meio de uma representação dramática, colocando em movimento as imagens estáticas do baralho de tarô do BOTA. Seus ensinamentos incluem o TAROT, a Cabala, o Simbolismo, A Astrologia e realmente possuem um material substancial para formação dentro do Rosacrucianismo Ocidental, ainda que tenha a participação de Mestres Cósmicos como R., Saint-Germain.

Como Viemos estudando, a Maioria das Ordens Rosacrucianas possuem alguma Profecia de um novo Ciclo ou Nova Era, baseada nos ciclos de Joaquim de Fiori ou de Johannes Tritemius, atualizando o Esoterismo Ocidental junto a evolução científica, adaptando a Espiritualidade ao recorte histórico e geográfico no qual aquele grupo está inserido, ou seja, mantendo acesa a Chama da Tradição de desabrochar a Rosa enquanto ela está unida ao Centro da Cruz, a Cruz desenvolve a Rosa, e a Rosa desenvolve a Cruz até que o despertar esteja completo e possam ambos ser unidos para formar a Rosacruz de Ouro.

Neste período posterior a segunda Guerra Mundial, Saint-Germain, aparece como a reencarnação de São José, Pai de Jesus e Carpinteiro, que aparece para reforçar a mensagem de um Avatar para a nova Era, A Era de Aquário, que criaria uma Era de Paz e de Comunicação, de Tecnologia aliada a espiritualidade a partir do contexto de desenvolvimento tecnológico e expansão territorial dos Estados Unidos.

Como citamos Saint-Germain, o Avatar dos Estados Unidos para a Nova Era Tecnológica, Neoliberal e Globalizada de Aquário, vamos abordar neste vídeo, o contexto, como prometemos:

Saint-Germain foi citado por Madame Blavatsky, como um dos poucos ocidentais que se tornaram Chelas fora do Tibet, e depois da morte de Madame Blavatsky vários autores se apegaram firme a este que seria o símbolo de um Mestre que vai para o Ocidente levar a Luz. A Luz da Europa é apagada após a segunda Guerra Mundial, pois Saint-Germain, é um Inglês que traz a proteção espiritual e a missão de manifestar a Nova Atlântida nas Américas: Francis Bacon.

Saint-Germain

Saint-Germains: A Mística Oculta da Dominação

No início do século XX, enquanto os Estados Unidos emergiam como uma potência global, uma nova corrente espiritual começava a interpretar essa ascensão sob uma ótica mística e profética. Para grupos esotéricos ligados ao ocultismo europeu e à nascente Teosofia americana, os EUA não eram apenas uma potência econômica e militar em expansão — eram o terreno fértil para o nascimento de uma Nova Era espiritual da humanidade.

Nesse imaginário simbólico, o enigmático Conde de Saint-Germain — identificado por algumas correntes como uma encarnação de Francis Bacon — tornou-se o “Instrutor do Mundo”, o mestre invisível da civilização americana e do Mundo. Segundo os Ensinamentos dos Mestres Ascensionados, Bacon não teria morrido em 1626, mas ascendido espiritualmente após forjar sua morte no Domingo de Páscoa, passando a operar sob o nome de Saint Germain. Teria influenciado a Ordem Rosa-Cruz de Ouro, a Estrita Observância Templária e iniciado figuras como Cagliostro e Martinez de Pasqually, após alcançar, em 1684, a imortalidade em um castelo na Transilvânia.

Ao longo dos séculos, esse ser teria vivido múltiplas encarnações: de sumo sacerdote atlante há 13 mil anos, a figuras como Platão, São José, Roger Bacon, Cristóvão Colombo e, por fim, Francis Bacon — considerado por esoteristas como o verdadeiro autor das obras de Shakespeare. Para Mark Prophet, Saint Germain teria inclusive comparecido ao seu próprio funeral disfarçado, antes de alcançar o “sexto nível de iniciação” por meio da alquimia.

Com a fundação da "Summit Lighthouse, a Fraternidade EU SOU" por Guy Ballard em 1930, após um suposto encontro com Saint Germain no Monte Shasta, o Novo Himalaia da Califórnia, a figura do Mestre ganhou novos contornos. Tornou-se o "Deus da Liberdade", o Hierarca da Era de Aquário, incumbido de conduzir a humanidade a uma Nova Atlântida espiritual — um projeto planetário de regeneração moral e racial.

Vamos ao contexto histórico: No final do século XIX, os Estados Unidos iniciaram uma expansão imperialista disfarçada de missão civilizatória. Após a Guerra Hispano-Americana (1898), anexaram territórios como Porto Rico, Filipinas, Guam e Cuba, e antes disso, o Alasca (1867) e o Havaí (1898), onde derrubaram a monarquia indígena. Sob o pretexto de levar liberdade e progresso, os EUA estenderam sua influência para a África e o Oriente Médio, enquanto o presidente Theodore Roosevelt firmava acordos com potências como a Rússia. Toda essa expansão era justificada por um discurso messiânico e “espiritualizado”, que camuflava interesses econômicos e geopolíticos sob o véu da “missão divina” da Nova Era.

Cuba como Herança Atlante: Degeneração e Redenção

Nesse contexto, Cuba, assim como outras ilhas do Caribe, foi reinterpretada simbolicamente como um resquício físico da antiga Atlântida. Segundo a narrativa Neoteosófica, a ilha guardaria traços degenerados da raça atlante original — agora misturada com elementos indígenas, africanos e crioulos. Essa miscigenação era lida, por algumas vertentes esotéricas da época, como sintoma de decadência espiritual: um afastamento dos princípios da “raça-raiz” iluminada.

Assim, a ocupação militar dos Estados Unidos em Cuba (1898–1902; 1906–1909) seria justificável, e não era percebida apenas como um gesto político ou econômico, mas como uma missão espiritual velada. Os EUA — guiados secretamente por Saint Germain — assumiam o papel de “nação eleita”, com o dever de purificar a herança atlante corrompida e preparar o terreno para o surgimento da nova Raça Ariana. Essa missão messiânica, com tons eugenistas, via os povos indígenas e afrodescendentes como "obstáculos cármicos" ao florescimento de uma civilização superior.

Nova Atlântida e o Discurso Místico-Imperial

Essa visão mística da expansão americana se enraizava na ideia de uma “Nova Atlântida”, conforme imaginada por Francis Bacon em sua obra homônima. Lá, ele esboçava uma sociedade futura fundada na ciência espiritual e na fraternidade universal — um arquétipo que passou a ser associado diretamente aos Estados Unidos. Os ensinamentos ocultistas do “EU SOU”, da Teosofia e da Summit Lighthouse afirmavam que Saint Germain operava nos bastidores da história, influenciando mentalmente líderes americanos e estruturando, invisivelmente, a nova ordem mundial da Era de Aquário.

Essa narrativa fornecia uma roupagem esotérica ao “Destino Manifesto”, a doutrina segundo a qual os EUA teriam o papel divino de levar progresso, ordem e iluminação espiritual aos “povos atrasados”. Era uma justificativa mística para a expansão territorial e o apagamento de culturas locais, travestida de missão redentora.

Império Invisível e Eugenia Espiritual

A ocupação de Cuba, nesse quadro, ganha contornos ritualísticos: uma purificação do solo atlante corrompido, um exorcismo das memórias espirituais indígenas e afrodescendentes. Essa lógica perversa, sustentada por discursos ocultistas racistas, operava como uma “eugenia espiritual” — não biológica, mas simbólica — onde os povos do sul global eram vistos como estágios inferiores da evolução humana.

Esse racismo esotérico não era explícito como o darwinismo social, mas operava nas entrelinhas das doutrinas espíritas, neoteosóficas e de Neo-rosacrucianismo. A evolução espiritual da humanidade, segundo eles, se daria em estágios raciais sucessivos, com a raça Ariana — em formação nos EUA — destinada a liderar o planeta em direção à iluminação.

Crise e Transmutação: A Grande Depressão e o Retorno do Mestre

Entretanto, esse mito do império iluminado colapsa simbolicamente com a quebra da Bolsa de Nova York em 1929. A crise econômica não foi lida apenas como um fracasso material, mas como um juízo espiritual sobre a arrogância imperial americana. Nos círculos ocultistas, Saint Germain ressurge então como instrutor da regeneração moral dos Estados Unidos. A queda não seria o fim — mas o prenúncio da transmutação planetária: a travessia da noite escura da alma rumo a uma nova consciência planetária.

Conclusão: Mito, Ocultismo e Dominação

Assim, entre 1898 e 1930, a trajetória imperial dos Estados Unidos pode ser lida em duas camadas interligadas: a material, feita de guerras, anexações e controle colonial; e a espiritual, tecida por narrativas esotéricas que sacralizavam a expansão como missão cósmica.

O Conde de Saint-Germain tornou-se o símbolo máximo dessa fusão entre política e misticismo. Como sacerdote atlante reencarnado, messias invisível e patrono da Nova Atlântida, para muitos, istobera entendido como uma cosmologia de redenção e purificação que mascarava interesses econômicos e raciais sob o véu da iluminação espiritual: A Grande Fraternidade Branca.

Essa narrativa — elegante, mística, mas profundamente racializada — nos convida a refletir sobre os usos ideológicos do ocultismo. Quando a espiritualidade é instrumentalizada para justificar impérios, ela deixa de ser caminho de libertação e se torna ferramenta de opressão, principalmente para as religiões da Diáspora africana ou para as práticas indígenas e Xamânicas.

Para além de seu apelo espiritual, a chamada Chama Violeta — exaltada por correntes ocultistas como a força de transmutação e liberdade espiritual. A própria cor violeta, celebrada como a união entre o vermelho e o azul da bandeira americana, e iluminada pelo branco da pureza nacional, opera como uma metáfora cromática da hegemonia estadunidense: a fusão de força (vermelho), controle (azul) e pretensa moral universal imaculada (o branco).

No contexto da Era de Aquário — que no esoterismo é associada à tecnologia, à rede global, à coletividade e à iluminação pela mente — essa narrativa ganha um novo aparato: os Estados Unidos não apenas dominam militar e economicamente, mas se tornam o epicentro de uma nova ideologia espiritual liberal, onde a liberdade é confundida com consumo, e a transcendência com conectividade.

A Chama Violeta, nesse cenário, torna-se o emblema vibracional de uma nova forma de dominação: não mais baseada na força bruta ou na colonização direta, mas na sedução tecnológica, no marketing da espiritualidade e na exportação global do estilo de vida americano e a espiritualidade fast-food. A suposta “transmutação espiritual” proposta por Saint-Germain e seus discípulos se confunde, assim, com os valores centrais do capitalismo digital — meritocracia, autoajuda, empreendedorismo, espiritualidade privatizada e fé cega no progresso técnico.

A “Nova Atlântida”, tão evocada pelos seguidores de Francis Bacon e Saint-Germain, ressurge, então, como uma metáfora para o Vale do Silício: um arquipélago de inovação onde os novos sacerdotes não usam mantos, mas códigos binários; onde os oráculos são algoritmos e os rituais, atualizações de software. A liberdade prometida pela Era de Aquário se vê diluída na dependência das redes, na monetização da fé e na vigilância disfarçada de iluminação.

A bandeira americana — reconfigurada misticamente na Chama Violeta — torna-se, assim, o estandarte de uma globalização espiritualizada, onde a expansão do império se traveste de libertação da alma. É o império do sutil, onde o domínio não é imposto, mas desejado; onde o messianismo ocultista legitima a dominação cultural e econômica como parte de um “plano divino” — e onde a transmutação espiritual nada mais é do que a aceitação do novo paradigma global tecnocrático.

Nesse novo paradigma espiritual-globalizado, a Chama Violeta se converte em marca registrada de uma espiritualidade privatizada, onde a ascensão espiritual passa a ser medida em termos de sucesso material, influência digital e produtividade emocional. A Era de Aquário — outrora imaginada como o tempo da fraternidade universal, da superação do ego e da conexão entre os povos — é capturada pelo discurso tecnognóstico de uma elite empresarial espiritualizada, que vende “cura energética”, “expansão de consciência” e “alta vibração” como produtos em pacotes premium.

O resultado é a hibridização entre capitalismo e esoterismo, uma fusão que legitima a ordem neoliberal como se fosse o próprio caminho da iluminação. Não por acaso, muitos dos gurus contemporâneos, influenciadores holísticos e coaches espirituais se apresentam como milionários — e fazem disso a prova final de sua suposta elevação espiritual. O discurso implícito (e às vezes explícito) é simples: quanto mais dinheiro você tem, mais “alinhado com a abundância do Universo” você está.

Essa lógica transforma o “campo vibracional” em moeda simbólica e o “karma” em algoritmo de desempenho: prospera quem “atrai”, atrai quem vibra alto, vibra alto quem consome os produtos certos, frequenta os retiros certos, segue os mestres certos e, claro, tem dinheiro para isso. Trata-se da teologia da prosperidade em roupagem quântica, onde o sucesso financeiro se torna não apenas desejável, mas sagrado — e a pobreza, uma falha energética ou um “bloqueio emocional não tratado”.

A indústria da autoajuda, do coaching espiritual e do bem-estar capitaliza sobre essa distorção, vendendo mapas de ascensão em forma de e-books, mantras, aplicativos de meditação, cristais industrializados, cursos de “alta frequência” e sessões de alinhamento vibracional por assinatura, desbloqueio dos chakras e do subconsciente de forma quântica por ressonância, clique aqui. O “sagrado” é monetizado, e o espiritual é reduzido a um serviço sob demanda, acessível — claro — a quem pode pagar. Em vez de promover transformação coletiva, essa espiritualidade consumista apenas reforça a lógica da desigualdade, travestida de mérito cósmico.

A Chama Violeta, nesse contexto, torna-se não mais o fogo alquímico da transmutação interior, mas o logotipo invisível do Império espiritual neoliberal: uma luz púrpura que ilumina as vitrines, não os abismos da alma. O “eu superior” é confundido com o “eu performático”, e a jornada do espírito é substituída pela construção de uma marca pessoal espiritualizada, competitiva e bem posicionada nas redes sociais.

Ao sacralizar o sucesso material e espiritualizar o consumo, o Neo-rosacrucianismo da Nova Era perde seu potencial crítico e se torna cúmplice da ordem que dizia transcender.

Assim, o novo Saint-Germain globalizado viralizou após a quebra da Bolsa, no período de expansão imperialista, e continua a ser usado como moda nos movimentos de Caibalionismo, mentalismo e Neo-rosacrucianismo.

Ordo Aureae & Rosae Crucis – OARC

Após a morte de Papus, Guaita e Péladan, o discípulo de Joséphin Péladan, Emile Dantinne, criou algumas organizações Rosacrucianas e herméticas, ao mesmo tempo, assim como Papus, ele reuniu outras linhagens, grupos estudos que estavam guardados na Suécia, Bélgica, manifestando assim uma Nova reforma no cenário esotérico e ocultista da Europa.

Nos últimos vídeos demos um enfoque ao Neo-rosacrucianismo que surge nas Américas, mais voltado à expansão e a modernidade, um rosacrucianismo globalizado. Neste vídeo, seguindo a linha temporal, perceberemos que a Europa ainda daria seu último suspiro Rosacruz antes da Segunda Guerra.

Em 1923 Emile Dantinne criou a Ordo Aureae et Rosae Crucis, reuniu diversos grupos e foi o Arquiteto da FUDOSI, mas quem é Emile Dantinne?

ÉMILE DANTINNE – SÂR HIÉRONYMUS

Émile Dantinne, conhecido no mundo iniciático como Sâr Hiéronymus, nasceu em 19 de abril de 1884, em Huy-sur-Meuse, na Bélgica. Batizado na Igreja Católica Romana, permaneceu fiel à sua fé cristã até o fim dos seus dias.

Ainda jovem, interrompeu os estudos aos 16 anos para ajudar a família, mas mais tarde ingressou na Universidade de Liège, onde se tornou um respeitado orientalista, especialista em línguas como hebraico, árabe, sumério e tibetano. Publicou artigos sobre esoterismo islâmico, um tema cuja influencia será percebida em sua perspectiva sobre o Rosacrucianismo.

No ano de 1904, sua vida muda ao conhecer o escritor e ocultista Josephin Péladan, durante uma palestra no Hôtel Ravenstein, em Bruxelas — onde se apresentam as exposições dos Salões da Rosacruz, e os artistas da Ordem da Rosa+Croix Católica e Estética do Templo e do Graal, fundada por Péladan em 1891 (que falamos no episódio 8 ). A partir desse encontro, Dantinne torna-se presença constante entre os discípulos do mestre francês.

Bruxelas, à época, tornava-se o novo coração das ordens esotéricas europeias graças aos seus esforcos. Após a morte de Péladan em 1918, a Ordem foi reorganizada em vários ramos. Na Bélgica, coube a Dantinne reacender a tocha da tradição rosacruciana, reorganizando-a como Ordem da Rosa-Cruz Universal, com o apoio de Du Chastain. Mais tarde, ele escreveria: “Após a morte de Péladan, foi Sâr Hiéronymus quem reacendeu a tocha da Ordem e a restabeleceu na tradição da verdadeira Rosa-Cruz.”

Em 1923, Dantinne reformula profundamente a estrutura da Ordem Rosa-Cruz de Péladan, criando três ramos distintos:

Ordem Rosacruz Universitária — destinada a estudantes universitários, com nove graus iniciáticos.

Ordem Rosacruz Universal — sob a liderança de François Soetewey (Sâr Succus), também com nove graus.

Ordem Rosacruz Interior — reservada a iniciados avançados, sob a liderança de Jules Rochat de Abbaye (Sâr Apollonius), com quatro graus secretos.

No total, os sistemas somavam 22 graus — o mais elevado deles era o de Imperator. Que em teoria seria o 13° da Rosacruz Universal. Além de tudo isso, havia a 'Celestial Rose-Croix' (significando a conexão espiritual dos iniciados), que era reservada apenas a alguns poucos, notavelmente aqueles que atingiram tais alturas de iluminação ('iniciação rara'). O vice-imperador da RCU era Francois Soetewey, e Jean Mallinger (chefe da OMM belga) era um de seus membros mais importantes, Jules Rochat de Abbaye foi feito o Imperator da ordem interna. Em Paris, o lendário alquimista Francois Jollivet-Castelot [1868-] administrou o corpo local junto a Madame Jeanne Guesdon. Tanto Harvey quanto Ralph Lewis da AMORC receberam sua Iniciação de Imperator Rosacruz (o 13º grau dos illuminati.

No dia 31 de dezembro de 1925, Dantinne inaugurou oficialmente um centro rosacruciano em Bruxelas, com François Soetewey à frente e Jean Mallinger como secretário. Mallinger era um Oficial da A.M.O.R.C., da O.T.O. e do Collegium Pansophicum, para compreender o sistema de graus, sugerimos que retorne ao episódio 11.

Dois anos depois, em 1927, Dantinne fundou a Ordem Hermetista Tetramegista e Mística, uma reconstrução moderna da antiga tradição pitagórica, ou Ordem Pitagórica sob a liderança de si mesmo, François Soetewey (Sar Succus) e Jean Mallinger (Sar Elgim) (1904 - 1982) chefe da seção belga do 'Rito Memphis-Misraïm'.

A O.T.H.P.

A Ordem Pitagórica de Dantinne, também chamada de Ordem de Hermes Tetramegisto, era estruturada em quatro graus, dirigidos pelo chamado Quadrado da Perfeição, composto pelo Grão-Mestre (Dantinne) e três Superiores Incógnitos.

Nos anos seguintes, Dantinne buscou harmonizar as doutrinas esotéricas tradicionais com a ciência moderna. Fundou grupos como:

CRSO – Comissão de Pesquisa Científica sobre Ocultismo, em Huy-sur-Meuse;

Instituto de Estudos Psicológicos Superiores;

Sociedade Metafísica de Bruxelas.

Também foi iniciado nas tradições martinistas, na Ordem Martinista e Sinárquica e depois, na Ordem Martinista Tradicional.

Quanto à Maçonaria, ele tinha desconfiança para com os ramos maçônicos que negavam o Grande Arquiteto do Universo, portanto, esteve em contato com o rito esotérico de Mênfis-Mizraim, a chamada Maçonaria egípcia de Cagliostro.

Mas em maio de 1933, um enigma: de forma repentina, Dantinne abandonou todas as suas funções esotéricas. Diante do choque dos discípulos, disse apenas: “Tratai de sondar o insondável que nos dá a mão por sobre o muro.”

Após um período de recolhimento, retorna à atividade com ainda mais vigor e concebe sua maior realização: a fundação da FUDOSI.

🌐 A GRANDE OBRA: FUDOSI

A Federação Universal das Ordens e Sociedades Iniciáticas (FUDOSI) nasce da aliança entre Sâr Hiéronymus, Sâr Alden (Harvey Spencer Lewis, Imperator da AMORC) e Sâr Yésir (Victor Blanchard). Sua missão era preservar e coordenar as tradições iniciáticas autênticas do Ocidente.

Dantinne reconheceu os méritos de Lewis e concedeu-lhe um diploma honorário da Faculdade Livre de Filosofia Iniciática, além de iniciá-lo no 13º Grau da Rosa-Cruz. Ambos foram também recebidos na Ordem Martinista e Sinárquica por Blanchard. Assim se formou o conselho supremo da FUDOSI:

Sâr Hiéronymus – Imperator para a Europa

Sâr Alden – Imperator para as Américas

Sâr Yésir – Imperator para o Oriente

Entre os membros estavam ainda:

François Jollivet-Castelot, fundador da Confraria dos Iluminados da Rosacruz; e da Sociedade Alquímica da França. Querem um vídeo sobre F.J.C., deixe o comentário.

Georges Lagrèze, da Ordem da Rosacruz do Oriente — ligada aos Irmãos Asiáticos, tema de outro vídeo no canal. Se vocês quiserem a Biografia de Lagreze e a Rosacruz do Oriente, comentem!

A FUDOSI, fundada em agosto de 1934, incluía as seguintes Ordens :

Ordem da Rosa + Cruz Universal

Ordem da Rosa+Croix Universitária

Ordem Cabalística de la Rose+Croix

Confrérie des Frères Illuminés de la Rose+Croix

Sociedade Alchimique de França

AMORC para os EUA

Milícia Crucifera Evangélica

Ordem Antiga e Mística de la Rose+Croix (Suíça)

Ordem dos Samaritanos Inconnus (Theodor Krauss)

Ordre Hermetiste et Mystique (ou Ordre Pythagoricienricien)

Ordem Martinista e Sinárquica

Fraternité des Polaires (Polônia)

Ordre Maçonnique Oriëntal de Memphis-Misraïm (estrita observância)

Ordem Mista de Memphis-Misraïm

⚔️ O FIM DA FUDOSI

A FUDOSI atuou por 17 anos, mas foi duramente abalada pela Segunda Guerra Mundial. Muitos membros foram perseguidos e mortos. Ao fim do conflito, Dantinne foi falsamente acusado de colaborar com os nazistas. Em meio à agitação popular, teve sua barba arrancada à força — um gesto de humilhação que enfrentou em silêncio. Foi julgado e absolvido por seu advogado, Jean Mallinger, que provou sua ligação com a Resistência.

Na Ordem Hermetista Tetramegista Pitagórica, em 1957, Emile Dantinne foi sucedido pelo Irmão Albinus (26/04/1920 -) Grão-Mestre da Grande Loja Alemã AMORC de 1949 a 1954 e Imperador da 'Ordo Rosae Aureae' . Atualmente ela ainda existe e é reservada a poucos, uma das suas linhagens se encontra nos círculos internos das Ordens Martinistas.

Apesar dos pedidos de desculpas por parte do governo belga, Dantinne recusou-se a reassumir seu cargo público. Com a dissolução da FUDOSI nos anos 1950, retirou-se definitivamente da vida pública. Passou os últimos anos em Huy-sur-Meuse, provavelmente ao lado de sua filha Marie-Louise e alguns poucos discípulos, retornando a sua morada em 1969.

A perspectiva de Dantinne sobre a Essência da Rosacruz, era a mesma concepção de Paul Sédir. Para eles a Rosacruz nasce dos Amigos de Deus, um grupo esotérico Ismaelita e Joanita - Muçulmano - que os Templários entraram em contato na Terra Santa, e que a alegoria de Christian Rosekreutz recriar em sua viagem a Palestina.

Portanto, peço que retornem ao episódio 5, e aos videos do Santo Sepulcro, para compreender como os os grupos esotéricos que estavam em Jerusalém influenciaram uma cadeia de Cavaleiros Iniciados, Alquimistas e Místicos, passando a Joaquim de Fiori, às Ordens Franciscanas e Cistercienses uma Alma e o ideal de uma Nova Era onde a Sabedoria Eterna, a Sophia, como o Espírito Santo, se desabrocharia coletivamente na Cruz da Humanidade.

A A.M.O.R.C. absorveu parte destes ensinamentos, como a Rosacruz Celestial, transformada em Sanctum Celestial.

Devemos a Émile Dantinne o texto O Código de Vida Rosacruz publicado pela A.M.O.R.C. Ralph Maxwell Lewis (Imperator da Amorc) afirmou que Dantinne era um Adepto, e a sua presença transformava um ambiente. Jean Mallinger afirma que ele podia mover as nuvens com o poder da sua mente. Se você deseja a biografia de Émile Dantinne, deixe nos comentários.

Estas Ordens continuaram a existir na Europa dentro das Ordens esotéricas e seu acesso se dava apenas a poucos por convite, nos EUA, Ralph Maxwell Lewis utilizou destes ensinamentos para atualizar os estudos, assim como Raymond e Christian Bernard. Existem representantes no Brasil, mas são muito discretos e selecionam seus membros.

Lectorium Rosicrucianum:

Também conhecida como Escola Internacional da Rosa Cruz Áurea. Foi fundada na Holanda, em 1924, por Wim Leene, Jan Leene e Henriette Stok-Huizer como o segmento holandês da Rosicrucian Fellowship de Max Heindel, até tornar-se uma instituição separada, trabalhando independente, em 1936.

O Lectorium Rosicrucianum (ou Escola Espiritual da Rosacruz Áurea) fundamenta-se no cristianismo gnóstico e possui fortes influências do catarismo e do hermetismo. Divulga a possibilidade da libertação da roda da vida e da morte por meio de um processo de purificação e subsequente transfiguração - a qual se inicia com a revivificação da centelha divina adormecida no coração dos homens.O nome “Lectorium Rosicrucianum” foi adotado em 1945. Em 1946, Jan van Rijckenborgh e Catharose de Petri viajaram para a cidade de Albi (França), um dos maiores redutos cátaros existentes no sul da França e Fizeram contato psíquico com a herança espiritual da antiga fraternidade cátara, mas assim como a S.T., a Fraternidade Rosa-Cruz Max Heindel, a Gnosis Samaelita e demais Ordens que Canalizam ou psicografam, eles não recomendam práticas de Evocação espírita e grupos mediúnicos.

Sua literatura é rica em termos de Rosacrucianismo Clássico. Recomendam a leitura do Corpus Hermeticum (atribuído a Hermes Trismegisto), do Evangelho Gnóstico da Pistis Sophia, dos Manifestos Rosacruzes (Fama Fraternitatis, Confessio Fraternitatis e Núpcias Alquímicas de Christian Rozenkreuz), do livro Cristianópolis (de Johann Valentin Andreae), do Tao Te King e vários outros, além de diversas outras obras.

Obviamente não podemos negar o caráter Nacionalista nesta teoria, Os Países Baixos ficam ao norte da França. É conveniente que nesta narrativa a Rosacruz seja cátara.

É importante dizer que a tentativa de criar um renascimento do Catarismo e do Templarismo vem de muitos anos antes, através das Igrejas Gnósticas na França, passando pela Rosacruz de Joséphin Péladan.

Sociedade da Luz Interior

Fundada por Dion Fortune após se afastar da O.H.A.D. por divergências com Moina Mathers. Dion Fortune havia sido treinada em outros sistemas, e após a Transição do seu Mestre, Dion continuou a receber as suas orientações espirituais. Em 1924 ela funda a Sociedade da Luz interior para perpetuar os ensinamentos do seu treinamento esotérico com seu Mestre, unindo as suas experiências pessoais e sua vivência na Aurora Dourada. Este grupo mescla também elementos do Druidismo e das Tradições Celtas, afim de preservar A Herança dos ancestrais da Inglaterra e Escócia.

Fraternitas Rosicruciana Antiqua

Após a Transição de Theodor Reuss em 1924, o Médico Dr. Arnold Krumm-Heller, discípulo de Reuss, Hartmann e Papus, possuía a carta para manter a O.M., a Igreja Gnóstica e a O.T.O. nas Américas, e continuou sua obra. A F.R.A. foi fundada em 1928 e ele assumiu o nome de Mestre Huiracocha. Krumm-Heller assim como Paul Foster Case afirma que teve contatos espirituais com o Mestre Rackozi, Saint-Germain.

Membro da S.T., delegado de Papus e da Ordem Martinista, e da Ordre Kabbalistique de la Rose+Croix, membro do Antigo e Primitivo Rito de Memphis-Mizraim, da Hermetic Brotherhood of Luxor, da Societas Rosicruciana in Anglia, do Collegium Pansophicum, da Rosacruz do Oriente e da Ordem como Patriarca da Igreja Gnóstica por sucessão de Ernst Christian Heinrich Peithman, ele criou sua Ordem que inicialmente possuía 7 Graus, atualmente são 3. Paralelamente A FRA possui uma Igreja Gnóstica pública, e após os seus Graus há possibilidade de ingressar nas Ordens Internas como a F.R.C. fundada por Paschal Beverly Randolph.

Dr. Krumm-Heller teve contato também com um Mestre Espiritual da herança Sul-americana, aprendeu sobre as ervas nativas e adaptou a tradição rosacruciana para elementos que existiam em nossa flora e fauna. A literatura sobre fitoterapia e botânica oculta esteve restrita aos livros dos autores europeus e a mitologia greco-romana, até que o Dr. Arnold Krumm-Heller atualizou o conhecimento da teurgia terapêutica, terapêutica teúrgica, a arte de curar utilizando as ervas, as orações, os nomes sagrados e poderes dos anjos e dos elementais.

O.R.C. do Brasil

Júlio Guajará Rodrigues Ferreira foi um brasileiro que se destacou no cenário espiritual do Brasil. Durante sua adolescência, ele morou na Europa e viajou para a Índia, onde recebeu sua Iniciação. Em 1924, publicou seu primeiro livro, "Os Mistérios da Alma".

No Brasil, ele se tornou instrutor secreto da Ordem Mística do Pensamento e fundou o Instituto Teosófico Rosa-Cruz, que mais tarde se transformou na Sociedade Teosófica Rosa-Cruz. Em 1930, ele dissolveu a Sociedade para fundar a Fraternidade Rosa-Cruz do Brasil, que permaneceu discreta por muitos anos. Segundo os ensinamentos da Fraternidade, o Brasil tem um papel fundamental a desempenhar como nação eleita para a Nova Era.

Antiquos Arcanus Ordo Rosae Rubae et Aureae Crucis – AAORRAC

Fundada na Áustria por Edward Munninger, Grão-Mestre da Amorc e membro do partido de Hitler. Essa Ordem foi fundada através de uma cisão da jurisdição alemã da AMORC, buscando ser uma Rosacruz mais pura, conservadora e tradicional, e foi criada em 1952.

Confraternity of the Rose Cross – CR+C

Após ser preparado por Ralph Maxwell Lewis, eleito e Instalado como Imperator da A.M.O.R.C. cusacoes, calúnias e problemas internos o levaram a deixar a organização. Fundada em torno de 1987, por, Gary Stewart, como uma alternativa para preservar os ensinamentos originais de Harvey Spencer Lewis e sua Militia Crucifera Evangelica. Gary resolveu utilizar dos rituais de Iniciação Originais criados por Spencer Lewis e Marie Russak. A CR+C trabalha em comunhão com a OMCE – Ordo Militia Crucifera Evangelica, uma Ordem de inspiração templária com ensinamentos próprios que afirmam ser descendentes da Militia Crucifera criada em Lunnenburg em 1530, para proteger os Príncipes Eleitores Protestantes. Possui 12 Graus Spencer Lewis e é aberta.

ORCI

Em 2003, foi criada uma biblioteca de temas iniciáticos chamada "Upasika", que reunia estudantes de língua espanhola de diferentes escolas: teósofos, maçons, martinistas, gnósticos, hermetistas, etc.

Nesse contexto, o fundador da biblioteca (Phileas del Montesexto) viajou para Girona (Catalunha, Espanha), onde se reuniu com antigos membros da Ordem do Templo da Rosa-Cruz, uma organização rosacruciana criada por Annie Besant e Marie Russak, no âmbito da Sociedade Teosófica em 1912. Desse contato inicial surgiu a "Ordem Mística do Templo da Rosa-Cruz", uma iniciativa que mais tarde se fundiu com o Programa de Estudos OPI (Opus Philosohicae Initiationis) para formar a Ordem Rosacrucian Iniciática (ORCI) em 2018, que trabalha em cinco graus: corvos (nigredo, grau 1), cisnes (albedo, grau 2), águias (citrinitas, grau 3), pelicanos (rubedo, grau 4) e fênix (grande obra concluída, grau 5). A Ordem é aberta a homens e mulheres.

Na atualidade ainda existem muitos grupos Rosacruzes como os F.A.R.C., Elders Brothers of the Rosy Cross, A Le Rose-Croix d'Orient que se tornou um círculo interno da OKRC, que por sua vez é um círculo restrito dentro das Ordens Martinistas. A Frater Lucis e a EASIA também foram recriadas, assim como a Gold und Rosenkreuzer, todas elas estão reservadas ou a Mestres Maçons ou a S.I. do Martinismo. 

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